O desmatamento é um dos impactos mais visíveis da humanidade sobre o planeta, com florestas transformadas em pastos ao redor do mundo, exterminando espécies inteiras de animais e plantas. E, mesmo a madeira sendo considerada por muito tempo como uma fonte sustentável para a construção de edifícios e obtenção de papel, ela não é uma fonte que se renova rapidamente. Mesmo com a existência de florestas controladas e a possibilidade do reuso de madeira, nossa dependência de madeira continua a crescer exponencialmente junto ao aumento da população mundial. O que nos faz pensar: é realmente possível continuar usando madeira e achar que isso é sustentável?
Sim.

A História do Ser Humano com a Madeira

Durante o período devoniano, aproximadamente há 375 milhões de anos, as árvores eram as principais causadoras das mudanças climáticas. Essa foi a época em que as plantas de terra firma apareceram pela primeira vez, e desde então nosso ecossistema se tornou intrinsecamente ligado às florestas. Como mamíferos que respiram oxigênio, dependemos muito das árvores, que usam dióxido de carbono em seu processo de fotossíntese, que cria oxigênio. Sem árvores e fotossíntese, não existiríamos.

Período Devoniano

Mesmo sabendo o quão importante as árvores são para a manutenção da vida na Terra, continuamos a desmatar grandes áreas de florestas todo ano. Usada como abrigo, ferramentas e para aquecimento, a madeira tem sido recurso básico desde a pré-história e, à medida que a população cresceu graças à agricultura e ao aumento de cidades, o uso de madeira também cresceu. Em uma escala evolucionária, levando em consideração os 14,8 bilhões de anos de existência do nosso universo, esse aumento do uso da madeira aconteceu em um período muito curto.

Um Problema Global

É fácil imaginar que o desmatamento é limitado pelo desenvolvimento do mundo. Os noticiários frequentemente focam na América do Sul e na África como exemplos de continentes onde o desmatamento é grande, mas esse não é o caso. Suécia, Finlândia e Portugal aparecem no topo 10 na lista de países que mais perderam árvores entre 2000 e 2012, e entre as várias razões atribuídas a essa perda estão incêndios, exploração madeireira e fatores ambientais. Por exemplo, besouros-do-pinheiro destruíram 16 milhões dos 55 milhões de hectares da floresta de pinheiros da Columbia Britânica, no Canadá.

Desmatamento na Amazônia

Assumindo a Responsabilidade

O lado mais triste do desmatamento é que, com uma administração adequada das florestas, temos madeira mais que o suficiente para atender nossas demandas globais. Entretanto, mesmo se administrássemos nossas florestas de maneira sustentável, ainda teríamos que diminuir o uso de madeiras especiais e promover o uso de madeiras menos populares, mas bem semelhantes às raras e cobiçadas. Por exemplo, você pode deixar de usar mogno para fabricar deques, mas conseguir um efeito bem parecido usando as madeiras recomendadas pelo Conselho de Manejo Florestal (FSC), como madeiras do gênero Larix (larch, ou larício) e madeira tratada do gênero Pinus (pinheiro).

Fazer escolhas responsáveis em relação às madeiras é um primeiro passo importantíssimo para lidar com o problema do desmatamento. Há casos nos quais madeiras raras como faia europeia e carvalho foram retiradas (muitas vezes ilegalmente) de florestas antigas na Romênia, Letônia, e Estônia, uma prática que, além de não ser sustentável, destrói belezas naturais incomparáveis. Um dos principais aspectos de florestas controladas é sempre manter um estoque saudável de árvores antigas e dar sempre preferência ao uso de árvores jovens como fonte primária de madeira. Manter um bom controle e fazer bom uso das recomendações do FSC ajuda a manter as florestas em boas condições.

Madeira pode ser um material sustentável e nós temos a capacidade e habilidade de suprir a demanda mundial, mas só se sermos responsáveis no seu controle trata-la como o recurso vital global que ela é.

Madeira legal

Artigo original escrito por Jon Buck disponível em: <http://inhabitat.com/how-sustainable-is-wood/>.

NOTA:

Este artigo foi disponibilizado porque discute a questão da sustentabilidade do uso da madeira e mostra uma visão europeia sobre esta questão. Entretanto, gostaríamos de aproveitar a oportunidade para falar sobre madeiras substitutas do mogno já que o artigo faz uma menção a isto, dizendo que madeiras do gênero Larix (larch, ou larício) e do gênero Pinus (pinheiro) poderiam substituir o mogno para o uso em deques.

Para que não fique a impressão de que o larício ou o pinheiro sejam as únicas substitutas para o mogno trazemos as seguintes informações:

Trabalho do Laboratório de Produtos Florestais, em Brasília, sugere como substitutas para o mogno, levando em consideração a aparência das madeiras, as seguintes espécies:  andiroba (Carapa guianensis), cedrinho (Erisma uncinatum), cedro (Cedrela adorata), eucalipto (Eucalyptus grandis), jacareúba (Calophyllum brasiliense), louro-vermelho (Ocotea rubra) e quaruba (Vochysia maxima). Para saber mais, acesse: http://www.florestal.gov.br/component/content/article/126-laboratorio-de-produtos-florestais-lpf/publicacoes-lpf/1096-especies-de-madeiras-substitutas-do-mogno?Itemid=

Trabalho desenvolvido por professores da Universidade Federal do Paraná e da Universidade de Brasília, usando como metodologia o modelo de elasticidade de substituição (ES), sugere como substitutas para o mogno, no mercado internacional, as seguintes espécies: cedro (Cedrela spp.), virola (Virola surinamensis), louro (Nectandra spp. e Ocotea spp.), angico (Anadenanthera spp.) e ipê (Tabebuia spp.). Saiba mais em: http://www.scielo.br/pdf/aa/v40n1/v40n1a15.pdf