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Conheça os tipos de madeira utilizadas na produção dos pisos de madeira maciça.

São diversas as espécies utilizadas para a fabricação de pisos de madeira maciça. As variações de cores, dimensões e formatos permitem a concepção de uma ampla gama de padrões de revestimento.

Para selecionar uma espécie como adequada à fabricação de pisos de madeira, devem ser consideradas, principalmente, as propriedades físico-mecânicas como massa específica, dureza Janka e retrabilidade. Adicionalmente, a escolha do piso de madeira pelo comprador está relacionada com aspectos estéticos e as tendências da moda e do mercado no momento.

Massa específica (Me): É uma das principais propriedades físicas da madeira e é também erroneamente conhecida como densidade. De acordo com definição da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), a massa específica da madeira é a relação entre sua massa e o seu volume, a um mesmo teor de umidade. Para efeitos de padronização, a ABNT recomenda que a Me seja expressa a um teor de 12% de umidade.

Outra maneira para expressar a relação entre massa e volume para a madeira é a densidade básica (DB) ou massa específica básica (Meb), que é definida como a relação entre a massa anidra da madeira (0% de umidade) e o seu volume saturado (umidade total ou verde). Para uma mesma espécie ou tipo de madeira a Meb sempre será menor do que a Me.

Tanto a Meb como a Me geralmente são expressas em gramas por centímetro cúbico [g/cm³] ou quilogramas por metro cúbico [kg/m³].

As madeiras podem ser classificadas em leves (Me < 500kg/m³), médias (Me entre 500 e 750kg/m³), pesadas (Me entre 750 e 950kg/m³) e muito pesadas (Me > 950kg/m³) (JANKOWSKY et al., 1990).

No caso dos pisos de madeira, por exigir grande resistência, geralmente são indicadas madeiras pesadas. Atualmente, algumas madeiras médias também estão sendo utilizadas para pisos.

Dureza Janka: A dureza é um parâmetro importante para a caracterização e utilização da madeira. Existe uma correlação bem fundamentada entre a dureza e outras propriedades da madeira tais como massa específica, resistência à compressão, flexão, cisalhamento e rigidez.

Os resultados da dureza devem ser utilizados na seleção de madeira para produtos como pisos, dormentes, cruzetas, postes e estruturas.

O ensaio de dureza consiste na aplicação de uma carga em corpos-de-prova de madeira ou produtos derivados de madeira, utilizando-se um dispositivo de formato esférico com área diametral de 100mm². O diâmetro da esfera correspondente a essa área é de 11,3mm. A resistência à dureza Janka é definida como a carga ou tensão resultante ao se introduzir a semi-esfera (5,65mm) de aço na madeira. Este ensaio deve ser realizado com carregamento monotônico e num período de pelo menos 1min, segundo o método da ABNT-NBR 7190/97.

A dureza geralmente é determinada nas direções paralela e perpendicular ao sentido dasfibras. Como este ensaio é pontual, o seu resultado depende, para o mesmo corpo-de-prova, do teor de umidade e também da heterogeneidade da madeira. Portanto, para a sua determinação, é necessário um rigoroso procedimento para representar fielmente o que está sendo avaliado.

Retrabilidade: É o conjunto das características de retração e inchamento da madeira. A variação dimensional em qualquer uma das três direções estruturais da madeira, (longitudinal, radial e tangencial, demonstradas na Figura), é calculada como porcentagem de variação em relação à dimensão inicial.

A retração e o inchamento da madeira estão diretamente relacionados com o seu teor de umidade. O inchamento ou aumento no volume é resultante de um aumento na quantidade de moléculas de água em sua estrutura polimérica, ou seja, de um aumento no teor de umidade da madeira. No sentido inverso, a retração ou redução no volume verifica-se quando ocorre uma redução nas moléculas de água presentes em sua estrutura polimérica, ou seja, quando ocorre uma redução no teor de umidade da madeira.

A alteração do volume da madeira depende unicamente da água contida no interior da parede celular das fibras, a qual interage com a estrutura polimérica do material e não da água contida no miolo da fibra (poro/lume). Toda movimentação dimensional irá ocorrer em teores de umidade abaixo do ponto de saturação das fibras (PSF), ou seja, entre 0% e 28% de umidade. Acima do PSF não ocorrem mudanças significativas no volume como resposta a variações no teor de umidade.

O inchamento máximo de uma madeira é dado pela diferença entre suas dimensões no estado saturado de umidade (verde) e no estado absolutamente seco (0%), em relação às suas dimensões no estado absolutamente seco, como apresentado na Equação 02:

Da mesma forma, a retração volumétrica máxima de uma madeira é dada pela diferença entre as dimensões no estado saturado de umidade e no estado absolutamente seco, em relação às dimensões da madeira no estado saturado de umidade, conforme apresentado pela Equação 3:

É importante observar que as fórmulas para o inchamento e para a retração volumétrica máxima não são iguais. Para o inchamento, a diferença entre o volume úmido e o volume seco é relacionada ao volume seco. Para a retração esta diferença é relacionada ao volume úmido.

Na prática, pode-se dizer que, em situações normais de uso, a variação entre a retração e o inchamento de uma peça de madeira tende a ser muito pequena em relação às variações climáticas (madeira em teor de umidade de equilíbrio), onde ao correr do ano estarão ocorrendo ora a perda de umidade, ora o ganho de umidade.

A variação dimensional também pode ser medida em relação às direções estruturais da madeira, ou seja, nos sentidos longitudinal, radial e tangencial. Nesse caso, são denominadas de variações lineares e pode-se assumir que a variação volumétrica é igual ao somatório das variações lineares.

Devido à estrutura anatômica da madeira, da posição das fibras em relação ao fuste e à forma do tronco (cilíndrica, cônica, etc), as variações lineares são diferentes entre si. A variação no sentido longitudinal é muito menor do que no sentido transversal e, transversalmente, a variação no sentido tangencial sempre é maior do que a variação no sentido radial.

Para a grande maioria das aplicações da madeira, a variação dimensional no sentido longitudinal pode ser desprezada, sendo importantes as variações de dimensões nos sentidos tangencial e radial.

Um dos índices para seleção de espécies é denominado de relação T/R, que é a relação entre os valores máximos de retração nos sentidos tangencial (T) e radial (R). Como a variação tangencial sempre é superior à variação radial, o índice T/R sempre será um número maior que 1,0.

No sentido prático, madeiras cujo índice T/R é inferior a 1,5 são mais homogêneas quanto à variação dimensional e que tendem a apresentar deformações pequenas em resposta à variação no teor de umidade da madeira.

Por outro lado, espécies com índice T/R superiores a 2,5 são madeiras que tendem a apresentar deformações comparativamente maiores em função das mudanças climáticas ao longo do ano.

A Tabela 05 apresenta as espécies de madeira mais comuns que são utilizadas na fabricação de pisos de madeira maciça e suas propriedades físico-mecânicas.

Existem no mercado outras espécies que estão sendo utilizadas para pisos. Essas espécies menos comuns geralmente apresentam propriedades físico-mecânicas inferiores em relação às espécies mais tradicionais. O uso destas espécies pode resultar em defeitos ou problemas indesejados no piso acabado.

Do ponto de vista ecológico e atendendo os princípios da sustentabilidade, é interessante a utilização de maior diversidade de espécies para pisos, pois diminui a pressão da exploração florestal em poucas espécies e proporciona mais eficiência e aproveitamento de espécies no manejo florestal.

O projeto PIMADS – Piso de Madeira Sustentável estudou 14 espécies alternativas a fim de avaliar seu potencial para uso como piso de madeira. As características de tais espécies podem ser observadas na Tabela 06.

Mais informações podem ser encontradas na publicação “Pisos de Madeira: Características de Espécies Brasileiras” (ANDRADE, 2015).

Material retirado do Livro Guia básico para instalação de pisos de madeira (Cap.2 páginas 29 á 33)

2018-04-19T10:38:34+00:00

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