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Conheça as características da madeira

A madeira é um material heterogêneo, constituído basicamente de fibras, que são como pequenos canudos com tamanhos, formatos e funções distintas, agrupados nos sentidos longitudinais e transversais do tronco. A variação dos tipos de fibras está relacionada às diferentes funções que elas desempenham, como condução de líquidos, armazenamento e sustentação.

As propriedades sensoriais (organolépticas) da madeira são aquelas relacionadas aos órgãos sensitivos, como cor, cheiro, gosto, grã, textura e desenho que se apresentam no material. São diretamente ligadas ao seu valor decorativo e ornamental.

COR

A cor da madeira é originada por substâncias corantes depositadas no interior das células que constituem o material lenhoso, bem como impregnadas nas suas paredes celulares. Entre estas substâncias podem-se citar resinas, gomas, derivados tânicos e corantes específicos, muitos dos quais ainda não foram suficientemente estudados sob o ponto de vista químico.

A região periférica do alburno, juntamente com a do câmbio, apresenta coloração mais clara que a madeira do cerne, situado na região mais interior do fuste de uma árvore. Alguns dos produtos depositados no interior das células, responsáveis pela coloração da madeira, podem ser tóxicos a agentes xilófagos. Estes produtos conferem a várias madeiras de coloração escura uma alta durabilidade em situações de uso que favorecem a biodeterioração.

De forma geral, madeiras mais leves e macias são sempre mais claras que madeiras pesadas e duras. Em regiões quentes predominam as madeiras com cores variadas e mais escuras. Em regiões de clima frio predominam as madeiras denominadas “madeiras brancas”. A cor da madeira é de grande importância no ponto de vista prático, pela influência que exerce sobre seu valor decorativo. Adicionalmente, substâncias corantes, quando presentes em altas concentrações na madeira, podem ser extraídas comercialmente e utilizadas no tingimento de tecidos, couros e outros materiais.

A cor da madeira varia com o teor de umidade e normalmente se torna mais escura quando exposta ao ar devido à oxidação das substâncias orgânicas contidas no material lenhoso. Tal efeito também é promovido pela elevação da temperatura quando se expõe a madeira à radiação solar. Outras formas de alteração da cor natural da madeira dizem respeito a situações em que este material se encontra em contato com metais ou por ação de microrganismos (fungos e/ou bactérias).

Com o propósito de aumentar o valor comercial de algumas madeiras, pode-se produzir uma alteração artificial da sua cor por meio de tinturas, descolorações, tratamentos com água e vapor ou outros meios.

Para escurecer madeiras recém-cortadas, no sentido de dar-lhes um aspecto envelhecido e aumentar o seu valor comercial, utiliza-se com sucesso o tratamento de corrente contínua de ar quente carregado com ozônio, o que produz, simultaneamente, a secagem e o envelhecimento artificial da madeira por evaporação da água e por oxidação das substâncias existentes no material lenhoso.

CHEIRO

O cheiro é uma característica difícil de ser definida. O odor típico que algumas espécies de madeira apresentam deve-se à presença de substâncias voláteis, concentradas principalmente na madeira de cerne. Por consequência o cheiro tende a diminuir com o tempo em que a superfície da madeira fica exposta, mas pode ser realçado com a raspagem da sua superfície, produzindo-se cortes ou umedecendo o material a ser examinado.

O odor natural da madeira pode ser agradável ou desagradável, valorizando ou limitando a sua utilização. Contudo ela também pode ser inodora, característica que a qualifica para inúmeras finalidades, em especial na produção de embalagens para produtos alimentícios.

Como exemplo do emprego de espécies de madeira em função de seu odor característico, pode-se citar a confecção de embalagens para charutos. O sabor é acentuado quando os charutos são armazenados em caixas de madeira de Cedro (Cedrela sp.). Outras espécies, devido a seus aromas agradáveis, são normalmente exploradas comercialmente para a fabricação de artigos de perfumaria. O Cedro-rosa (Cedrella fissilis) é usado como incenso no Oriente e o Cinamomo-cânfora (Cinnamomum camphora) é empregado na confecção de baús para o armazenamento de lãs e peles devido sua propriedade de repelir insetos.

Em contraste às madeiras valorizadas pelo odor agradável, existem as que têm saponinas em suas células e, quando trabalhadas no estado seco, desprendem pó que irritam as mucosas nasais. Entre algumas espécies que apresentam este inconveniente, estão o Tamboril (Enterolobium contortisiliquum), os vários tipos de Ipê (Handroanthus sp.) e a Cabreúva-parda (Myrocarpus frondosus).

Além dos efeitos já apresentados, muitas espécies de madeira possuem substâncias especiais em suas células que podem caracterizar defeitos, caso danifiquem as serras e equipamentos empregados no processo produtivo. Cita-se, por exemplo, o carbonato de cálcio na madeira de Baitoa (Phyllostemon brasiliensis) e o elevado teor de sílica nas madeiras de Maçaranduba (Manilkara elata) e Itaúba (Mezilaurus itauba).

GOSTO OU SABOR

Gosto e cheiro são propriedades intimamente relacionadas, por se originarem das mesmas substâncias. Na prática, somente de forma excepcional, o gosto da madeira contribui para a identificação e distinção entre espécies. Devido à possibilidade de reações alérgicas e intoxicações, esta técnica não é recomendável. Contudo o gosto pode excluir certas espécies de madeira para algumas utilizações, como no caso de embalagens para alimentos, palitos de dente, de picolés e de pirulitos, brinquedos, utensílios de cozinha e usos similares.

Grã

O termo grã refere-se à orientação geral dos elementos verticais constituintes do lenho, em relação ao eixo da árvore ou de uma peça de madeira. Esta orientação é decorrente das mais diversas influências em que a árvore é submetida durante o seu processo de crescimento. Existe uma grande variação natural no arranjo e na direção dos tecidos axiais, originando vários tipos de grãs, descritos a seguir:

Grã direita ou reta: Tipo de grã considerada normal, apresentando os tecidos axiais orientados paralelamente ao eixo principal do fuste da árvore ou das peças de madeira.

Este tipo de grã é apreciado por proporcionar uma maior resistência mecânica, ser de fácil desdobro e processamento e minimizar deformações indesejáveis por ocasião da secagem da madeira. Contudo, do ponto de vista decorativo, as superfícies tangenciais e radiais da madeira se apresentam com aspecto bastante regular e sem figuras ornamentais especiais.

Grãs irregulares: Tipos de grãs cujos tecidos axiais apresentam variações na inclinação em relação ao eixo principal do fuste da árvore ou das peças de madeira. Dentre os tipos de grãs irregulares, distinguem-se:

– Grã espiral: Determinada pela orientação espiral dos elementos axiais constituintes da madeira em relação ao fuste da árvore. Em árvores vivas, sua presença pode ser muitas vezes visualizada pela aparência espiralada da casca, podendo, no entanto, estar oculta sob uma casca de aspecto normal.

A existência deste tipo de grã traz sérias consequências para a utilização da madeira, como a diminuição da resistência mecânica, aumento das deformações de secagem e dificuldade para se conseguir um bom acabamento superficial.

– Grã entrecruzada: A existência deste tipo de grã ocorre especialmente quando a direção da inclinação dos elementos axiais se altera conforme o período de crescimento da árvore. Este tipo de grã não reduz em demasia a resistência mecânica da madeira, mas é responsável por um aumento das deformações de secagem e da dificuldade para se conseguir um bom acabamento superficial.

Apesar dos problemas citados, madeira com grã entrecruzada pode ser valorizada sob o ponto de vista estético, pelo desenho e variação no brilho apresentados na superfície.

– Grã ondulada: Neste tipo de grã os elementos axiais do lenho alteram constantemente suas direções, apresentando-se na madeira como uma linha sinuosa regular. As superfícies longitudinais apresentam faixas claras e escuras, alternadas entre si e de belo efeito decorativo. As consequências para a utilização prática da madeira são as mesmas da grã entrecruzada.

– Grã inclinada, diagonal ou oblíqua: Tipo de grã que ocorre pelo desvio angular dos elementos axiais em relação ao eixo longitudinal de uma peça de madeira. Neste caso, as peças de madeira são provenientes de fustes excessivamente cônicos, de crescimento excêntrico, etc.

Este tipo de grã afeta significativamente as propriedades tecnológicas da madeira, sendo que, quanto maior o desvio, menor a resistência mecânica e mais acentuada a ocorrência de deformações de secagem.

TEXTURA

O termo textura refere-se ao efeito produzido na madeira pelas dimensões, distribuição e porcentagem dos diversos elementos estruturais constituintes do lenho, no seu conjunto. Nas folhosas este efeito é determinado principalmente pelo diâmetro dos vasos e pela largura dos raios, enquanto nas coníferas o efeito se dá pela nitidez, espessura e regularidade dos anéis de crescimento. Os seguintes tipos de textura são apresentados, de acordo com o grau de uniformidade da madeira.

Textura grossa ou grosseira: apresentada em madeiras com poros grandes e visíveis a olho nu (diâmetro tangencial maior que 250μm), parênquima axial¹ abundante ou raios lenhosos largos.

Textura fina: apresentada em madeiras cujos elementos têm dimensões muito pequenas e se encontram distribuídos principalmente na forma difusa no lenho. Apresentam parênquima escasso e tecido fibroso abundante, conferindo à madeira uma superfície homogênea e uniforme.

Textura média: situação intermediária entre a textura grossa e a textura fina. No caso das coníferas, quando o contraste entre as zonas do lenho inicial e lenho tardio é bem marcante, a madeira tem constituição heterogênea e é classificada como de textura grossa, como no caso da madeira de Pinus elliotti. Por outro lado, se o contraste for pouco evidente ou indistinto, a sua superfície será uniforme e a classificação será de textura fina, como é o caso do Pinheiro bravo (Podocarpus lambertii).

BRILHO

O brilho da madeira é causado pelo reflexo da luz incidida sobre a sua superfície. Porém, como o material é constituído de forma heterogênea, ocorre variação do brilho entre as três faces anatômicas. Dentre elas, a face longitudinal radial é sempre a mais reluzente, por efeito das faixas horizontais dos raios da madeira.

A importância do brilho é principalmente de ordem estética e, sob o ponto de vista de identificação e distinção de madeiras, esta propriedade é considerada irrelevante.

DESENHO

O termo desenho é usado para descrever a aparência natural das faces da madeira, resultante das várias características macroscópicas (cerne, alburno, cor, grã) e, principalmente, dos anéis de crescimento e raios da madeira.

Desenhos especialmente atraentes têm sua origem em certas anormalidades da madeira, como grã irregular, fustes bifurcados, nós, crescimento excêntrico, deposições irregulares de substâncias corantes, etc.

Certos tipos de desenhos possuem denominações especiais, como “figura prateada”, por efeito do brilho dos raios, e “olho de passarinho”, causado pela presença de brotos adventícios.

Material retirado do Livro Guia básico para instalação de pisos de madeira (Cap.1 páginas 14 á 19)

 

2018-03-28T13:29:53+00:00

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